Fundos de venture capital estão comprando companhias consolidadas para acelerar sua transformação interna por meio da inteligência artificial. A estratégia, conhecida como ‘AI rollup’, foca em reconstruir processos de setores tradicionais, diferentemente do modelo anterior de venda de soluções de IA. A mudança coloca os fundos de venture capital na ofensiva no mercado financeiro.
A abordagem visa aplicar a lógica do software como serviço (SaaS) a empresas de serviços. Em operações recentes, houve a aquisição da Janus Henderson pela General Catalyst e pela Trian por US$ 7,6 bilhões em dezembro. Outro exemplo foi o acordo da Long Lake Management para fechar o capital da American Express Global Business Travel por US$ 6,3 bilhões em maio, com prêmio de 65%.
Os alvos dessas aquisições geralmente atuam em setores com adoção lenta de software, como saúde, contabilidade e seguros. Enquanto o private equity tradicional se baseia em engenharia financeira, os AI rollups são construídos em torno do crescimento, usando IA para ampliar equipes voltadas ao cliente. A Long Lake, por exemplo, utiliza uma plataforma própria de IA chamada Nexus, que, segundo seu CEO, apresenta desempenho até cinco vezes superior a modelos de uso geral.
Este movimento desafia o private equity anterior, que investiu em software corporativo por múltiplos elevados. Os defensores da estratégia afirmam que o próximo ciclo de fechamento de capital ocorrerá em companhias tradicionais, e não mais em empresas de software. Contudo, o modelo enfrenta riscos, como retornos operacionais menores que os prometidos e desafios na execução, visto que os fundos de venture capital têm tradição em startups, e não em negócios maduros.

