O consumo impulsionou a atividade econômica brasileira em maio, com avanços nos setores varejista e de serviços, conforme o Índice Getnet (IGet). No entanto, a análise detalhada dos indicadores aponta para uma desaceleração gradual, pressionada pela política monetária restritiva e pelo fim dos estímulos fiscais.
O IGet ampliado registrou crescimento de 1,9% em maio, sendo o segundo mês consecutivo de alta. O IGet restrito, que mede o consumo cotidiano, avançou 1,7%, marcando o primeiro resultado positivo do indicador em 2026. Contudo, a comparação interanual revela um quadro negativo, com queda de 0,7% no varejo ampliado e recuo de 6,0% no varejo restrito.
O desempenho do varejo foi impulsionado pelo setor de vestuário, que saltou 12% em maio. Já no segmento de serviços, o índice cresceu 0,4% em relação a abril, mantendo a sequência de crescimento mensal. Apesar disso, a comparação anual mostra queda de 3,3% no setor, evidenciando a fragilidade estrutural.
Gabriel Couto, economista do Santander, afirmou que os dados reforçam a tese de desaceleração. Ele explicou que os efeitos combinados da política monetária restritiva e dos estímulos fiscais estão enfraquecendo, o que sustenta a expectativa de um desempenho heterogêneo no segundo trimestre.

