Empresas brasileiras enfrentam pressão para manter a produtividade, mas o desgaste gerado por modelos enxutos e alta demanda está elevando custos com saúde mental. A nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) exige o monitoramento de riscos psicossociais, forçando a revisão de estruturas operacionais.
O aumento do adoecimento mental é evidenciado por dados do Ministério da Previdência Social, que registrou 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais em 2025. Esse número representa uma alta de 15,66% em comparação a 2024, sendo ansiedade e depressão os transtornos mais citados. Em 2025, as mulheres constituíram 63,46% dos afastamentos registrados, e São Paulo lidera o país com 149.375 benefícios relacionados a transtornos mentais e comportamentais.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula uma perda global de US$ 1 trilhão por ano em produtividade devido a esses males. Especialistas apontam que a pressão por resultados levou muitas organizações a normalizar o acúmulo de funções e o excesso de demanda. A advogada trabalhista Bruna Ribeiro afirmou que “o principal impacto está na revisão da forma como as operações funcionam”.
A mudança regulatória, impulsionada pela NR-1, exige que as empresas avaliem a sustentabilidade de suas operações. Patrícia Bastazini, da Bastazini Contabilidade, declarou que o desafio é “encontrar equilíbrio entre performance, responsabilidade e capacidade real de sustentação”. Ela comentou que o impacto da saúde mental aparece diretamente na sustentabilidade da operação, e não apenas como pauta trabalhista.

