Áudios obtidos por investigação revelam a participação de um delegado e dois agentes da Polícia Civil da Paraíba em um esquema de desvio de drogas e armas. Os agentes, presos na Operação Perfídus, são acusados de dividir lucros e usar a posição hierárquica para proteger envolvidos no tráfico.
O material interceptado mostra conversas sobre a divisão de lucros e cobrança de valores referentes a drogas repassadas. Em uma gravação, um agente cobra o pagamento de um lote e menciona que o delegado questionou sobre a saída do dinheiro. Outro áudio registra o agente informando ao delegado sobre lucros obtidos, citando o recebimento de R$ 8 mil por transferência via Pix por drogas vendidas em Campina Grande.
A investigação aponta que o delegado atuava como proteção institucional para o grupo. Segundo um dos áudios, a presença do delegado dificultaria a responsabilização dos envolvidos, pois os delegados seriam corporativistas. Além disso, os áudios indicam articulação para verificar informações sobre quatro armas na Central de Polícia.
A Polícia Civil apura que o esquema movimentou cerca de R$ 10 milhões em vendas ao longo de quatro anos. O delegado, ex-titular da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio, é apontado como beneficiário direto dos lucros e utilizava sua posição para garantir a impunidade dos subordinados.

