A indústria automotiva brasileira enfrenta riscos de competitividade devido à discussão sobre a escala de trabalho 6×1 e à expansão de montadoras chinesas, alertou Herlander Zola, presidente da Stellantis na América do Sul. A declaração foi feita durante o Anfavea Visions, evento em São Paulo, que reúne líderes do setor para debater o futuro da mobilidade.
Zola afirmou que a competitividade nacional piora em comparação com o mercado chinês, pois as horas trabalhadas no país asiático são maiores que as previstas no Brasil com o modelo em debate. O executivo, que lidera o grupo Stellantis no país, disse que a produção local já enfrenta riscos com a expansão das montadoras chinesas, que possuem parcerias fortes no mercado asiático.
A Stellantis planeja investir R$ 30 bilhões no Brasil até 2030. No entanto, Zola declarou que o foco do investimento depende do alcance do nível de competitividade necessário. Em um painel com presidentes da Toyota e Renault, ele comparou custos de capital, matérias-primas e trabalho, apontando vantagens chinesas em diversas frentes.
Outros líderes do setor apontaram transformações estruturais. Roberto Cortes, CEO da Volkswagen Caminhões e Ônibus, citou sustentabilidade, conectividade e geopolítica como eixos de mudança, destacando o protagonismo crescente da Ásia. Evandro Maggio, presidente da Toyota no Brasil, defendeu que medidas isoladas são insuficientes, defendendo programas públicos de longo prazo, como o Mover, para reduzir assimetrias.


