O agronegócio brasileiro enfrenta riscos crescentes de mudanças climáticas e instabilidade geopolítica, mas o setor apresenta baixo nível de preparação para lidar com esses desafios, segundo Otávio Lopes, sócio-líder de Agro da EY para a América Latina. O levantamento da EY mapeou os temas que impactam o agro e avaliou a prontidão das empresas para enfrentá-los.
Os riscos climáticos figuraram no topo da lista de preocupações nas duas últimas edições da pesquisa. Lopes afirmou que, embora o setor adote práticas como adequação genética e zoneamento agrícola de risco climático, variáveis fora do controle das empresas geram vulnerabilidade. Ele citou regiões como Rio Grande do Sul, onde há uma safra perdida a cada quatro anos, e Paraná, com uma a cada seis, devido a geadas e chuvas inadequadas.
No curto prazo, o zoneamento agrícola de risco climático é a prática mais viável para reduzir a exposição ao risco e melhorar o enquadramento em seguros agrícolas. Além disso, a geopolítica ganhou relevância no estudo, um fator que não possuía o peso atual em pesquisas anteriores. Lopes disse que tensões no Oriente Médio e tarifas dos Estados Unidos aumentaram a percepção de risco.
A baixa preparação do setor, segundo o especialista, está ligada à dependência de insumos estratégicos, como fertilizantes, e à concentração de mercados compradores. Para navegar nesse mercado turbulento, Lopes defendeu que as empresas precisam se tornar mais ágeis, exigindo maior uso de tecnologia e inteligência de dados. Ele também solicitou maior presença de companhias multinacionais brasileiras no comércio exterior.

