Torcedores utilizam inteligência artificial para produzir músicas de apoio às seleções na Copa do Mundo, que ocorrerá nos Estados Unidos, Canadá e México, de 11 de junho a 19 de julho. As canções geradas por IA acumulam milhões de reproduções, mas especialistas apontam que a tendência levanta questões sobre propriedade e remuneração dos artistas.
A tendência começou com um hino para a seleção francesa, intitulado “Imbattables” (Invencíveis), publicado em fevereiro pelo artista Crystalo. A melodia, que enumera nomes de estrelas, foi seguida por um hino brasileiro com formato similar e melodia phonk, criado pelo produtor Guilherme Maia, conhecido como M4IA. Faixas para outras potências, como Portugal e Argentina, surgiram replicando o ritmo e o formato.
Guilherme Maia comentou que o que ocorre é mais uma tendência ou a recriação de uma sensação, mas reconheceu que a tecnologia impõe novas questões sobre direitos autorais. Jason Palamara, professor adjunto de tecnologia musical na Universidade de Indiana, afirmou que não está claro como se reconhecem artistas cujas obras protegidas são usadas para treinar modelos de IA.
Palamara também apontou que as músicas criadas por IA podem carecer de complexidade, sendo um “produto compacto”. Contudo, Morgan Hayduk, co-diretor executivo da empresa de software de direitos musicais Beatdapp, disse que os ouvintes podem não buscar complexidade, mas sim a história por trás da música gerada por um modelo de linguagem grande.


