A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República não chegaram a um acordo com a defesa de um banqueiro sobre a delação premiada, negociada desde março. Os órgãos de investigação exigem fatos inéditos e provas documentais, enquanto a defesa alega que os investigadores demonstram má vontade em avançar com a proposta.
Os agentes da PF consideram que os anexos apresentados até o momento carecem de elementos novos e meios de prova, condição essencial para a colaboração. Há percepção entre os investigadores de que o banqueiro busca apenas ganhar tempo, evitando o cumprimento de pena em um presídio comum. A PGR, por sua vez, mantém cautela enquanto analisa os novos documentos, afirmando que a proposta precisa demonstrar claramente a capacidade de entregar fatos inéditos e elementos de corroboração.
A defesa do banqueiro, por outro lado, alega que o material entregue na semana passada contém histórias inéditas e sustenta que os investigadores estão com má vontade. Os advogados trabalham contra o tempo, pois os investigadores indicaram o mês de julho como prazo máximo para evitar contaminação com o processo eleitoral. O benefício de visitas especiais na cela do investigado se encerra nesta sexta-feira.
A tendência é que o material seja recusado novamente, pois não ultrapassa o que já foi descoberto nas oito fases da Operação Compliance Zero. Uma nova reunião entre os advogados e os órgãos de investigação está prevista para esta semana, mas ainda não há decisão definitiva sobre pedir complementos ou interromper as negociações.

