A dependência do agronegócio brasileiro em relação à China representa um sinal de alerta, pois o país asiático é o principal destino das exportações brasileiras. Mais de 30% do que o Brasil exporta vai para a China, segundo o pesquisador do Insper Agro Global, Leandro Gilio, que avalia riscos caso a demanda chinesa caia.
A relação comercial entre Brasil e China cresceu nas últimas duas décadas, consolidando o país asiático como o maior mercado do Brasil. Gilio afirmou que a dependência se intensificou, especialmente em setores como a soja. Para Pequim, a busca por maior autonomia alimentar configura uma estratégia de segurança nacional.
O pesquisador explica que, embora a China tenha metas de redução de importações, a transformação é difícil devido a limitações estruturais, como disponibilidade de terra, água e condições climáticas. Ele declarou que uma queda forte na demanda chinesa impactaria negativamente o Brasil, pois não há como realocar esse volume para outros locais.
Gilio defende que o Brasil busque novos mercados, citando Índia, União Europeia e países do Sudeste Asiático como oportunidades. Contudo, ele concluiu que substituir o peso econômico da China não é viável no curto prazo, visto que não existem mercados com o mesmo tamanho.

