A Prefeitura de Salvador decretou situação de emergência na região de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário, após a identificação de contaminação por substâncias químicas na faixa litorânea. A medida, oficializada pelo Decreto nº 41.834, terá validade inicial de 90 dias e classifica o evento como desastre ambiental.
Relatórios técnicos do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) identificaram níveis elevados de metais pesados, como ferro, cobre e zinco, em organismos marinhos coletados na área. Os maiores índices foram encontrados em moluscos bivalves, com concentrações superiores às observadas em crustáceos. A contaminação está associada a atividades desenvolvidas pelas empresas Gerdau e Intermarítima, segundo o decreto, afetando toda a faixa litorânea.
A decisão municipal considera os danos ambientais e sociais, incluindo prejuízos à atividade pesqueira. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) alertou que os produtos químicos podem causar problemas dermatológicos e gastrointestinais. O órgão recomendou que a população evite consumir peixes e mariscos capturados na área e contato direto com a água do mar.
Com o reconhecimento da emergência, a prefeitura pode mobilizar órgãos municipais para resposta e recuperação. A Polícia Federal abriu inquérito para apurar a poluição na Praia de São Tomé de Paripe. Um representante da Associação de Pescadores e Marisqueiras do Subúrbio, Reinaldo Jorge Cirne, afirmou que os profissionais têm buscado alternativas de renda devido ao cenário.

