A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou um relatório que conclui a grave situação dos oceanos, exigindo respostas urgentes de governos e setores privados. A análise, que cobriu o período de 2018 a 2023, aponta piora em indicadores como aquecimento, elevação do nível do mar e poluição marinha.
O terceiro ciclo da Avaliação Mundial dos Oceanos (WOA-3) reuniu mais de 550 cientistas de 86 países para compilar os dados. O documento detalha que o oceano entrou em fase de aquecimento acelerado, com a taxa de elevação do nível médio global do mar atingindo 4,3 milímetros por ano entre 2013 e 2023. Além disso, houve agravamento no degelo polar, com níveis recordes registrados em 2022, 2023, 2024 e 2025.
A poluição plástica também se expandiu drasticamente. O novo estudo indica que mais de 4 mil espécies marinhas estão impactadas, um aumento significativo em relação ao relatório anterior, que citava 1,4 mil espécies. A pesca enfrenta pressão crescente, com a porcentagem de estoques biologicamente sustentáveis caindo para 62,3% em 2021, segundo o documento.
Para o Brasil, os impactos incluem maior vulnerabilidade costeira e aumento de eventos extremos no Atlântico tropical. O professor Ronaldo Christofoletti, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), coautor do estudo, afirmou que “fenômenos antes considerados excepcionais estão se tornando recorrentes, inclusive com impactos potenciais para o litoral brasileiro”. Ele comentou que a poluição plástica no país tem relação direta com saneamento insuficiente e resíduos urbanos.

