Títulos do Tesouro Nacional oferecem taxas reais superiores a 8% ao ano em prazos curtos, um patamar não visto desde o governo Dilma Rousseff. Gestores de investimentos veem nesse cenário uma janela de oportunidade, embora exijam cautela devido às projeções de juros do Banco Central.
Diretores de investimentos indicam que os papéis atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+ ou NTN-Bs, são preferíveis. Segundo a TAG Investimentos, o mercado passou de uma expectativa de IPCA de 3% para 5%, o que impulsiona o desempenho desses títulos. Marco Noernberg, estrategista da Manchester Investimentos, sugere focar em vencimentos entre 2030 e 2035, o que captura taxas altas sem grande exposição à atualização de preços.
Um relatório semestral da XP recomenda prazo médio de até seis anos em títulos indexados à inflação. A análise aponta o IPCA como indexador adequado diante da pressão inflacionária global e da incerteza eleitoral no Brasil. Contudo, a mesma análise ressalta que o pós-fixado mantém relevância pela liquidez, enquanto os ativos indexados ganham importância como proteção no médio prazo.
No mercado de ações, a visão é dividida. Enquanto um estrategista destaca oportunidades em bancos e serviços públicos após a queda do Ibovespa, outro gestor alerta para a inconsistência entre um mercado de crédito deteriorado e ações bem avaliadas. Para perfis conservadores, sugere-se até 80% em ativos atrelados ao CDI, com diversificação em papéis de inflação e ações.


