A inteligência artificial pode transformar o modelo de crescimento da América Latina, que historicamente depende da expansão da força de trabalho. Um estudo do Fórum Econômico Mundial estima que a adoção da IA pode impulsionar a produtividade da região em 1,9% a 2,3% ao ano até 2030, se houver investimento estrutural.
O relatório, produzido em colaboração com a consultoria McKinsey & Company, indica que esse avanço de eficiência pode injetar entre US$ 1,1 trilhão e US$ 1,7 trilhão anualmente na economia latino-americana. O potencial é visto como crucial diante do esgotamento do chamado “bônus demográfico” nos principais países da região.
Para que os benefícios sejam alcançados, o estudo aponta desafios como a qualificação de profissionais para operar novos sistemas e a necessidade de investimento em infraestrutura e energia. Sem resolver esses gargalos, o crescimento da produtividade por IA pode se restringir a grandes centros urbanos ou multinacionais, ampliando a desigualdade produtiva.
Atualmente, o uso da IA na região é fragmentado. Apenas 23% das organizações conseguem gerar valor econômico com a tecnologia, e somente 6% reportam criação de valor “significativa”. O setor financeiro é citado como exceção, enquanto a indústria manufatureira e a logística são apontadas como próximas fronteiras de valor, com potencial de reduzir custos operacionais em até 15%.


