Educadores de ensino superior relatam uma queda na capacidade de leitura de estudantes, um problema que se agrava com o uso de ferramentas digitais. Segundo um professor, alunos não conseguem acompanhar textos de vinte páginas, refletindo preocupações sobre o declínio cognitivo geracional.
O professor universitário Tyler Jagt relatou que nenhum de seus alunos conseguiu ler um artigo de vinte páginas, um feito que ele realizava como estudante há dez anos. Jagt aponta dados do National Assessment of Educational Progress de 2024, que indicaram que as notas de leitura do 12º ano atingiram o nível mais baixo desde 1992, com quase um terço dos alunos abaixo do nível básico de compreensão.
A crise de leitura é acompanhada pelo uso crescente de inteligência artificial. Muitos estudantes utilizam a tecnologia para resumir conteúdos ou gerar ensaios, o que, segundo Jagt, impede o desenvolvimento de habilidades cognitivas. Um estudo do MIT citado por ele mostrou que usuários de IA apresentaram menor atividade cerebral em áreas ligadas à criatividade, e 83% não conseguiram citar trechos dos textos gerados.
Além da IA, o uso de smartphones também é citado como fator de prejuízo. Um estudo de 2017, mencionado por Jagt, demonstrou que a mera presença de um celular próximo reduz a capacidade cognitiva disponível. O professor afirma que a falta de uso atrofia os caminhos neurais de atenção sustentada, tratando a questão como um problema estrutural que as instituições negligenciam.


