Líderes políticos condenaram a onda de violência anti-imigração que tomou as ruas de Belfast e outras localidades da Irlanda do Norte após um ataque a faca ocorrido na noite de segunda-feira. O incidente, que deixou um homem gravemente ferido, gerou incêndios em veículos e imóveis, forçando a remoção de famílias sob escolta policial.
O ataque ocorreu na área da Kinnaird Avenue, no norte de Belfast, e foi motivado pela acusação de um refugiado sudanês de 30 anos. O suspeito foi acusado de tentativa de homicídio, porte de faca em local público e ameaças de morte contra um funcionário do sistema público de saúde britânico. Em audiência realizada nesta quarta-feira, o suspeito teve a prisão preventiva mantida por quatro semanas.
A vítima, que permaneceu hospitalizada, sofreu lesões graves, incluindo perda do olho esquerdo e danos no direito, além de ferimentos no pescoço e nas costas. Após o ataque, manifestantes incendiaram um ônibus no leste da cidade e queimaram veículos em vias públicas. O Serviço de Bombeiros informou ter atendido 62 ocorrências relacionadas aos distúrbios.
Autoridades condenaram os atos. A ministra da Justiça da Irlanda do Norte, Naomi Long, afirmou que o debate sobre o status migratório do suspeito era irrelevante para a avaliação do crime. A primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O’Neill, classificou os ataques contra residências como “covardia repugnante”. O chefe da polícia da Irlanda do Norte, Jon Boutcher, declarou que “não há justificativa” para os episódios e que os responsáveis serão tratados de acordo com a lei.


