Um ex-estagiário do Ministério Público de São Paulo foi preso por suspeita de ter mantido ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação revelou que o indivíduo utilizou seu acesso institucional para mapear criminosos de alto poder econômico e exigir dinheiro em troca de proteção.
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), o ex-estagiário atuou em uma Promotoria de Justiça Criminal em Campinas. Ele usou o banco de dados e os sistemas de pesquisa do MP para identificar indivíduos ricos. Em seguida, exigia valores em troca de proteção nas investigações contra facções criminosas. As extorsões foram realizadas por meio da internet de um escritório de advocacia.
A prisão ocorreu durante uma operação que também prendeu um chefe de investigadores da Polícia Civil e um ex-policial civil, suspeitos de favorecerem o crime organizado. Um traficante ligado ao PCC, alvo de operação do Gaeco, relatou ter recebido uma mensagem de ex-estagiário exigindo o pagamento de R$ 500 mil para evitar a prisão. A cobrança foi feita via WhatsApp.
O promotor de Justiça Marcos Tadeu Rioli, coordenador da investigação, explicou que, embora o estagiário não estivesse no Gaeco, ele tinha acesso a inquéritos em tramitação na promotoria. Ele utilizou esse acesso, com apoio de agentes com acesso a sistemas restritos do Estado, para obter informações detalhadas sobre o alvo, que possuía elevado patrimônio.

