A redescoberta de quatro volumes originais do testamento de Antonio Salieri, ocorrida recentemente, revela 149 composições e oferece um novo olhar sobre a figura do compositor vienense. Os manuscritos, considerados perdidos desde 1825, mostram a complexidade do artista, que viveu em um período de grande turbulência histórica.
Antonio Salieri (1750–1825) foi figura central na música vienense, atuando como diretor da ópera italiana e Kapellmeister imperial da corte austríaca. Embora o cinema tenha consolidado a imagem de Salieri como rival de Wolfgang Amadeus Mozart, documentos históricos apontam para convivência profissional e respeito mútuo entre os dois músicos.
O musicólogo Timo Jouko Herrmann anunciou a recuperação dos cadernos, que foram destinados ao príncipe Joseph von Dietrichstein. O material, preservado por gerações, contém composições inéditas. Entre elas, destaca-se um cânone datado de 11 de maio de 1809. Naquele dia, Viena enfrentava um dos mais violentos bombardeios promovidos pelas tropas de Napoleão.
Neste contexto de destruição, Salieri concluiu o Dona nobis pacem de sua Missa em si bemol maior. A descoberta aponta para um homem real, cujas angústias humanas se manifestaram em sua arte, contrastando com a caricatura popular. A reaparição das obras resgata sensibilidades esquecidas sobre a condição humana em tempos de conflito.


