Em cerimônias de formatura nos Estados Unidos, estudantes têm vaiado discursos que mencionam inteligência artificial. O descontentamento surge do temor de substituição de empregos e da percepção de que as grandes empresas de tecnologia priorizam lucros em detrimento de questões sociais.
O fenômeno ocorreu em casos pontuais, como na Universidade da Flórida Central, onde a executiva Gloria Caulfield foi vaiada ao classificar a IA como “a próxima Revolução Industrial”. Em outras instituições, como a Universidade do Arizona, discursos sobre os “arquitetos da inteligência artificial” também geraram revolta entre os formandos.
Especialistas apontam que o medo de não conseguir um emprego após a formatura é um fator central. Paulo Blikstein, professor da Universidade Columbia, explica que os jovens se sentem ameaçados, pois os trabalhos de nível inicial estão sendo substituídos pela tecnologia, o que agrava a frustração financeira dos recém-formados.
Outra hipótese é a revolta contra as grandes empresas de tecnologia. Diretores do Colégio Visconde de Porto Seguro (SP) comentaram que o protesto pode não ser contra a tecnologia em si, mas contra os interesses econômicos, visto que agentes de IA não exigem aumentos ou greves.
Adicionalmente, há a frustração com as expectativas. Blikstein afirmou que a conversa sobre a IA mudou de promessas utópicas de resolver problemas globais para o foco na substituição de profissionais, gerando desconfiança entre os estudantes.


