A desinformação dificulta os esforços para conter o ebola no leste da República Democrática do Congo (RDC). A circulação de notícias falsas gera atrasos no atendimento médico, recusa de cuidados e agressões a profissionais de saúde, enquanto a epidemia já registrou 115 mortes.
Um vídeo viralizou afirmando que o ebola só existe em redes sociais e na imprensa internacional. Essa publicação ilustra a enxurrada de notícias falsas que acompanha o surto. Segundo epidemiologistas, as falsidades vão desde negar a doença até acusar autoridades de inventá-la com fins lucrativos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio de seu diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, advertiu que a desinformação é “quase tão perigosa quanto o próprio vírus e se espalha com a mesma rapidez”. A ONG ActionAid estima que, na província nordeste de Ituri, epicentro do surto, quase uma em cada três pessoas acredita que a doença é uma invenção.
A falta de confiança reflete uma crise mais profunda. A diretora nacional da ActionAid, Saani Yakubu, afirmou que a desinformação atrasa o tratamento, pois pacientes procuram ajuda apenas quando o quadro é grave. Além disso, trabalhadores humanitários sofreram agressões, e tendas de uma ONG foram incendiadas após familiares de pacientes desconfiarem do protocolo de segurança.


