Um conto de Humberto de Campos, presente no livro “A bacia de Pilatos”, narra a história de um padre italiano que, ao chegar ao Brasil, se envolve em um incidente na aduana. O episódio ilustra a dificuldade de manter a verdade diante do excesso de informações.
A história se passa quando o padre, ao se aproximar da baía de Guanabara, é abordado por duas portuguesas. Elas informaram que vinham assumir uma herança em Barbacena e, por isso, transportavam joias de família sem nota fiscal. As moças solicitaram que o padre escondesse as peças sob sua batina para evitar a fiscalização.
Ao chegar à aduana, o fiscal revistou o padre e, após encontrar um rosário e uma novena, questionou sobre o conteúdo oculto. O padre, em pânico, respondeu que o objeto pertencia às duas senhoras. A reflexão, apresentada por Dartagnan da Silva Zanela, aponta que o fluxo contínuo de dados leva frequentemente à troca da verdade por informações superficiais.
O autor afirma que, por malícia ou leviandade, as pessoas acabam trocando “as joias da verdade por qualquer outra ninharia que nossa imaginação deformada sugerir para nossa inteligência indisciplinada e desleixada”.

