Um economista avaliou que a proposta de fim da escala 6×1 no Brasil enfrenta barreiras fiscais e riscos de desemprego. Segundo Gesner Oliveira, o principal obstáculo não é o mérito da mudança, mas o processo e o ritmo de condução do tema.
Oliveira afirmou que a medida é “obviamente simpática”, pois propõe reduzir a jornada sem alterar o salário, o que representa um aumento do valor da hora trabalhada. Contudo, o colunista alertou que o período de transição previsto é curto, e o cenário brasileiro difere de economias como Holanda e Suécia.
Com base em dados do IBGE, o economista estimou que a implementação da mudança poderia causar a perda de cerca de 500 mil postos de trabalho, dado o crescimento de produtividade brasileiro inferior a 1% ao ano entre 1990 e 2024. Ele também citou que 87% dos trabalhadores com jornada superior a 40 horas estão em pequenas e médias empresas, segmento que o IPEA reconhece ter alto custo.
Questionado sobre compensações estatais, Oliveira declarou que “Não há espaço fiscal”. Como alternativa, ele defendeu a PEC por horas trabalhadas, argumentando que a medida permitiria maior flexibilidade na negociação da jornada, alinhada ao mercado de trabalho moderno.

