O Brasil conta com 81 milhões de solteiros, um dado do Censo do IBGE que aponta para uma transformação na organização social afetiva do país. Desde 2022, o número de solteiros supera o de casados. Apesar da mudança, pesquisas indicam que o desejo por relacionamentos sérios continua forte entre os brasileiros.
Apesar da alta taxa de solteiros, o interesse em vínculos duradouros permanece. Uma pesquisa realizada pelo aplicativo Happn revelou que 27% dos brasileiros planejam dedicar mais atenção à vida amorosa em 2026, sendo que 62% desses indivíduos buscam um relacionamento sério. Isso sugere que o desejo de amar não diminuiu, mas a forma como o amor é encarado mudou.
A ideia de encontrar a “alma gêmea” perdeu força, e a realização pessoal, sobretudo entre mulheres, não está mais atrelada ao casamento ou à maternidade. Contudo, a tecnologia facilitou os encontros, mas dificultou a construção de laços sólidos. O medo da rejeição leva muitas pessoas a se protegerem atrás de telas, dificultando a vulnerabilidade necessária para qualquer vínculo.
Adicionalmente, cresce uma hiperexigência afetiva, onde os parceiros são avaliados por um extenso leque de características. Essa lógica pode gerar uma cultura de descarte, pois o outro é visto como uma lista de critérios. O desafio contemporâneo, segundo análises, não é encontrar alguém, mas sim manter a disposição para construir algo em um contexto de pressa e incerteza.

