O varejo de moda brasileiro está redefinindo sua estratégia, afastando-se do modelo tradicional baseado em preço e volume. Grandes varejistas investem em materiais superiores e experiências de compra para focar no valor percebido, um movimento impulsionado por consumidores mais informados.
Historicamente, o mercado de moda nacional se sustentou em três pilares: preço, volume e velocidade, lógica que moldou marcas como Riachuelo, Renner e C&A. Contudo, há uma mudança perceptível. A inclusão de tecidos como algodão pima e linho nas coleções reflete uma tentativa de reposicionamento. As empresas passam a priorizar durabilidade e valor em detrimento de promoções e quantidade.
Esse movimento é ilustrado por espaços concebidos como laboratórios, como o da Riachuelo em Pinheiros, onde a experiência de compra se torna tão relevante quanto o produto. A disputa, segundo a análise, não é mais apenas com o modelo de ultra fast fashion, mas com a estratégia de valor agregado, similar à adotada pela Zara.
A premiumização, estratégia adotada por parte do varejo brasileiro, visa construir argumentos para que o consumidor perceba maior valor na peça, sem necessariamente migrar para o luxo. Essa mudança é economicamente vantajosa, pois permite aumentar o ticket médio e fortalecer a marca, fugindo da corrida por margens mínimas.

