Pesquisadores identificaram o primeiro registro conhecido de pinturas rupestres na Terra Indígena Alto Rio Negro (Tiarn), no noroeste da Amazônia. O achado, localizado em sítios sagrados dos povos Baniwa e Koripako, é considerado um marco para entender a ocupação humana antiga na bacia amazônica brasileira.
A descoberta integra o projeto “Vozes da Amazônia Indígena”, coordenado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O trabalho de campo, realizado ao longo do primeiro ano, envolveu expedições na região do rio Içana, afluente do rio Negro, onde os sítios foram localizados.
Os pesquisadores afirmam que os locais são considerados sagrados pelas comunidades locais. Por decisão dos indígenas da Tiarn, o acesso aos sítios foi restrito aos participantes do projeto. Um integrante da equipe, Sidney Baniwa, disse que a comunidade não liberará o acesso a pesquisadores externos.
O arqueólogo Raoni Maranhão Valle comentou que o achado deve ser interpretado com cautela, evitando a ideia de “descoberta” no sentido colonial. Ele explicou que os pesquisadores são recebidos como aprendizes, com o objetivo de aplicar conhecimentos técnicos na defesa do território sagrado.
Os vestígios, que apresentam pigmentos vermelhos e amarelos, sugerem ocupações humanas antigas e contínuas. As hipóteses indicam que as pinturas podem ter sido produzidas entre **8.000 e 4.000 anos atrás**, reforçando o conhecimento sobre a diversidade gráfica pré-histórica na região.

