Cientistas utilizaram inteligência artificial para mapear mais de 15 mil km² de áreas oceânicas resilientes ao aquecimento global em 72 países. A pesquisa, apresentada na Our Ocean Conference em Mombasa, Quênia, identificou refúgios onde correntes frias e menor exposição solar aumentam a chance de sobrevivência dos corais.
O estudo, conduzido pela Wildlife Conservation Society, analisou quase 38 mil observações humanas de corais coletadas ao longo de 65 anos, identificando 42 fatores que criam essas condições de refúgio. A nova avaliação superou em três vezes o número de áreas salvas apontadas pelo Estudo dos 50 Recifes, realizado em 2018, e fornece um panorama mais detalhado para prioridades de conservação.
David Obura, presidente do IPBES, comentou que os recifes são ecossistemas cruciais, sustentando um quarto das espécies oceânicas. Ele afirmou que “cada décimo de grau de aquecimento leva os recifes ao limite”. Pesquisadores alertam que o desaparecimento da Grande Barreira de Corais pode ocorrer em uma geração sem ação urgente.
Os refúgios não estão distribuídos uniformemente; mais da metade está em cinco países, como Bahamas, Cuba, Austrália, Indonésia e Filipinas. Contudo, a concentração desses locais os torna vulneráveis a ameaças como sobrepesca e poluição, e muitos parques protegidos carecem de financiamento prático.

