Entidades representativas da indústria brasileira reagiram com cautela à redução da taxa Selic para 14,25% ao ano, decidida pelo Copom nesta quarta-feira (17). As instituições apontam que, apesar da diminuição, o nível dos juros permanece restritivo, o que prejudica investimentos e a saúde financeira de empresas e famílias.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) declarou que a redução é insuficiente para reverter o cenário de estagnação. Segundo a CNI, o patamar de 14,25% ainda está 3,1 pontos percentuais acima da taxa de equilíbrio estimada em 11,1%. O presidente da CNI afirmou que, enquanto os juros reais permanecerem altos, o custo do crédito inviabilizará planos de produção e expansão industrial.
Os dados de endividamento mostram o impacto do cenário: em abril, o Brasil atingiu 9 milhões de CNPJs negativados, segundo a Serasa Experian, totalizando R$ 221 bilhões em dívidas. A CNI ressaltou que esse quadro compromete o consumo e o patrimônio familiar. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) avaliou o movimento como favorável, mas defendeu que a desinflação deve ser acompanhada de maior coordenação com a política fiscal.
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) também reiterou que o alto custo de capital reduz a competitividade dos produtos brasileiros. A entidade apontou que a indústria de transformação opera 16% abaixo de seu máximo histórico, segundo dados do IBGE.

