O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (17). A decisão, unânime, foi analisada por Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter, que alertou que estímulos fiscais e consumo elevado podem manter a inflação em patamares altos.
Vitoria comentou que o comunicado oficial do Copom gerou incerteza devido ao seu detalhamento. Ela apontou que a reincorporação do risco fiscal no balanço de riscos sinaliza um possível responsável por uma pausa no ciclo de cortes de juros. Segundo a economista, os gastos do governo federal cresceram mais de 14% acima da inflação nos primeiros meses do ano, estimulando a demanda.
A analista explicou que programas de crédito subsidiado e novas medidas governamentais têm risco de estimular ainda mais a demanda, mantendo a inflação elevada. Ela também ponderou que o impacto do fenômeno El Niño sobre alimentos será mais sentido no final do ano, afetando a inflação em 2027.
Questionada sobre juros nos Estados Unidos, Vitoria afirmou que o efeito sobre a política monetária brasileira seria indireto, ocorrendo via câmbio. Ela disse que juros mais altos nos EUA atraem investidores, reduzindo o apetite por mercados emergentes como o Brasil.

