Um professor de Ciências Militares avaliou o memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã, divulgado recentemente, e classificou o acordo provisório como uma ‘aposta’. Segundo o especialista, a postura do presidente Trump define a natureza incerta do pacto, que gera pouca empolgação na região.
Sandro Teixeira Moita, professor da Eceme, analisou o documento e afirmou que os 14 pontos revelados diferem parcialmente das informações circuladas em mídias iranianas, mas não se afastam dos termos previamente declarados pelo país. O professor comentou que não há entusiasmo na região ou nos Estados Unidos em relação ao acordo.
Moita relatou ter ouvido que os Estados Unidos tentaram bombardear o Irã em fevereiro para promover uma mudança de regime. Desde domingo, o país tenta influenciar o Irã por meio de recursos financeiros com o mesmo objetivo. Além disso, o professor citou declaração de Trump, feita em coletiva em Evian, França, na qual o republicano afirmou que o sucesso seria dele, mas o fracasso seria de JD Vance, o que reforça a visão de que o acordo é uma aposta.
O especialista também avaliou que o acordo diminui a capacidade de dissuasão americana por pressão. Isso ocorre porque figuras iranianas endurecidas acreditam ter sobrevivido a um ataque conjunto americano e israelense. Moita concluiu que a resistência militar de Trump encorajou o Irã, que obteve o que considera a ‘vitória no campo político-ideológico’, apesar das dificuldades econômicas do regime.

