Uma propaganda exibida durante a Copa do Mundo de 2026 colocou Diego Maradona no centro do debate público argentino. A campanha, feita com inteligência artificial para promover uma plataforma de apostas, gerou críticas por associar o ex-craque a comportamentos de risco.
A peça, produzida pela empresa BetWarrior, mostrou um Maradona jovem falando sobre coragem e personalidade ligadas ao ato de apostar. A exibição durante os intervalos do Mundial provocou forte repercussão na imprensa argentina. Críticos argumentaram que a mensagem contradizava posicionamentos que o ídolo manifestou em vida sobre juventude e riscos compulsivos.
Apesar das críticas, o uso da imagem não ocorreu sem autorização. O advogado Fernando Burlando, representante das filhas, declarou que a campanha recebeu aval dos herdeiros. Contudo, especialistas apontam que a discussão transcende a permissão familiar.
Juan Gustavo Corvalán, diretor do Laboratório de Inovação e Inteligência Artificial da Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires, explicou que o caso levanta uma questão inédita: “até que ponto os herdeiros podem autorizar usos que alterem ou reinterpretam a identidade pública de uma pessoa já falecida.” Ele afirmou que as legislações atuais não oferecem respostas completas para os avanços da inteligência artificial.
O pesquisador Emmanuel Iarussi, da Universidade Torcuato Di Tella, relacionou o episódio ao fenômeno dos “griefbots” e “fantasmas generativos”, sistemas que recriam digitalmente pessoas mortas. A polêmica se agrava diante do crescimento dos problemas de apostas na Argentina, onde um em cada quatro adolescentes já apostou, segundo levantamento do Unicef.

