O governo brasileiro avalia as tratativas com os Estados Unidos sobre uma sobretaxa de 25% em produtos nacionais como uma negociação “no escuro”. A decisão americana sobre a tarifa, prevista para ocorrer em menos de um mês, depende de concessões que ainda não foram claramente definidas pela administração.
A tensão comercial surgiu após um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) classificar políticas brasileiras como “irrazoáveis” ou “discriminatórias” contra interesses americanos. O documento criticou temas diversos, incluindo o sistema de pagamentos Pix, acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual e questões ambientais.
Integrantes do governo afirmam que os americanos não indicaram quais desses pontos são negociáveis, dificultando o avanço. O governo brasileiro estabeleceu linhas vermelhas, sendo Pix e qualquer questão ligada ao sistema eleitoral considerados inegociáveis com Washington.
A dificuldade de avançar decorre da necessidade de a administração americana apresentar um resultado interno como vitória política. Apesar disso, o governo planeja manter as conversas abertas até o prazo final, concentrando as discussões em grupos técnicos.

