O primeiro-ministro de Cuba, Manuel Marrero, apresentou ao Parlamento um extenso programa de reformas orientadas ao livre mercado nesta quinta-feira. As medidas visam combater a profunda crise econômica da ilha, que enfrenta pressão contínua dos Estados Unidos.
O programa detalha 176 propostas que abrangem diversos setores da economia, como empresas privadas, estatais, sistema bancário, turismo, agricultura, investimento estrangeiro, impostos e mercado cambial. Segundo o economista cubano Daniel Torralbas, o plano representa o mais profundo anúncio de reforma econômica nos últimos 70 anos desde a Revolução de 1959.
As mudanças incluem a transformação de empresas estatais em sociedades mercantis por ações ou participações. Além disso, será autorizada a participação de capital estrangeiro no setor privado e a abertura de contas em moeda estrangeira para pessoas físicas. A agricultura, o turismo, o setor bancário e o mercado cambial passam a aceitar investimento privado, tanto nacional quanto estrangeiro.
Outras alterações previstas são a introdução de um imposto sobre valor agregado (IVA) e a permissão de negociação salarial dentro das empresas. Os anúncios ocorrem em um momento de forte pressão dos Estados Unidos, que mantêm embargo contra Cuba desde 1962, buscando uma mudança no modelo econômico da ilha.

