O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação apura que um senador teria recebido um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões de um banqueiro, ex-sócio do Banco Master.
A decisão do ministro Mendonça baseou-se em elementos indicativos de recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente. Segundo a Polícia Federal, o senador teria escolhido um imóvel no residencial Poème Horto, em Salvador, e encaminhado dados do empreendimento ao banqueiro. Este, por sua vez, acionou um operador financeiro ligado ao Banco Master para tratar da compra.
A apuração policial também aponta o recebimento de mais de R$ 5,5 milhões à BN Financeira, empresa administrada por parentes do político. Além disso, foram citados o uso gratuito de aeronaves e ingressos para shows no exterior custeados pelo banqueiro e pelo Banco Master. O senador negou qualquer vínculo com o Banco Master ou com o banqueiro, afirmando que a investigação se baseia em achados policiais ou delações desconhecidas.
A investigação da PF também examina a atuação do parlamentar em temas regulatórios de interesse do grupo Master, como a apresentação de emendas parlamentares. O senador refutou ter favorecido interesses privados, destacando ter votado contra uma proposta defendida por outro senador sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em busca e apreensão em Brasília, foram encontrados US$ 49 mil dólares, valor que a assessoria atribuiu a diárias oficiais.

