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Cultura

Empatia vira jargão e consolida guetos sociais

Carla Fernandes
Última atualização: 19 de junho de 2026 01:39
Carla Fernandes
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Tempo: 1 min.
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O autor Dartagnan da Silva Zanela critica o uso excessivo da palavra empatia, alegando que ela perdeu substância e se tornou um jargão vazio. Ele argumenta que a verdadeira compaixão exige um esforço ativo para se colocar no lugar do outro, superando divisões ideológicas.

Zanela afirma que a repetição constante do termo faz com que ele perca seu significado, servindo apenas para rotular o que não se encaixa em estereótipos pré-fabricados. Para ilustrar seu ponto, ele narra um episódio envolvendo São Francisco de Assis, que demonstrou compaixão por um assassino condenado. O santo explicou que o indivíduo merecia compaixão porque, possivelmente, teria se tornado uma pessoa melhor com a vida que ele viveu.

O autor propõe um experimento mental: ao testemunhar injustiças contra pessoas de espectros políticos opostos, a reação interior e o comportamento nas redes sociais definem a humanidade. Zanela esclarece que sentir compaixão por quem se ama não é excepcional, mas sim simular empatia por adversários ideológicos também não desumaniza.

Zanela conclui que a sociedade contemporânea desaprendeu a exercer essa capacidade. Ele afirma que a empatia, no cenário atual, constrói muralhas que aprisionam indivíduos em guetos desumanizadores, em vez de edificar pontes de encontro.

TAGGED:culturadiálogodiscursoEmpatiapolarizaçãosociedade
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