O Brasil enfrenta assimetrias econômicas no cenário global, exportando matérias-primas a baixo custo e importando tecnologia manufaturada de países como EUA e Alemanha. Essa dinâmica, analisada sob a ótica da diplomacia corporativa, expõe a dependência do país em cadeias de valor internacionais.
A análise do mercado demonstra que a soberania econômica brasileira não se mede apenas por volume de exportação, mas pelo controle dos canais de distribuição e pelo valor percebido dos produtos. Em relações com os Estados Unidos, por exemplo, apesar de registrar vendas de US$ 37 bilhões, o déficit em manufaturados complexos alcançou US$ 7,5 bilhões. Com a Alemanha, o padrão se repete, com o envio de café e soja para importar US$ 14 bilhões em maquinários e insumos farmacêuticos.
Em outras trocas, a assimetria é evidente. Com Marrocos, a corrente de US$ 2,8 bilhões esconde que o Brasil entrega açúcar e melaços, representando 66% dos envios, para receber fertilizantes, que somam 84% das importações. No Grupo A da Copa do Mundo, a relação com a Coreia do Sul envolve a venda de óleo bruto (32,6% do valor de US$ 10,8 bi) em troca de chips e eletrônicos.
O especialista Márcio Coimbra, CEO da Casa Política e presidente-executivo do Instituto Monitor da Democracia, afirma que o país precisa mudar sua postura tática. Ele declara que é necessário abandonar a passividade e projetar pequenas e médias empresas no varejo internacional, deixando de ser apenas fornecedor de commodities.

