A resistência de grandes bancos atrasou a conclusão do programa Desenrola para quem está em dia com o crédito. Interlocutores apontam que a oposição se deve a questões de rentabilidade e dificuldade de sistemas. O governo, então, limitou o programa a trabalhadores informais com saldo devedor de até R$ 15 mil.
O Desenrola para adimplentes visava reduzir o comprometimento de renda das famílias, trocando dívidas caras por opções mais baratas. Os bancos argumentaram que renegociar dívidas de quem não está inadimplente seria uma contradição, pois atingiria cerca de 95% do universo de pessoas físicas com crédito. Fatores como a garantia de recursos públicos nos fundos garantidores também motivaram a oposição.
Diante disso, a área técnica do governo redefiniu o escopo. O programa agora foca em trabalhadores informais com saldo devedor de até R$ 15 mil, que já tenham pago pelo menos quatro parcelas e estejam com pagamentos em dia ou com atraso de no máximo 90 dias. A taxa de juros da nova linha de crédito é de 3,5% ao mês, significativamente menor que a praticada no crédito pessoal não consignado tradicional (CDC).
A nova linha de crédito pode ter o prazo de financiamento ampliado, somando dois meses ao prazo remanescente. Apesar dos avanços, o programa aguarda aval final do presidente Lula para uma possível ampliação de 50% do saldo devedor. O governo pretende lançar o Desenrola Adimplentes entre o fim deste mês e o início de julho.

