Pesquisadores brasileiros relataram em um estudo de caso que uma mulher na casa dos 80 anos, com Alzheimer avançado, apresentou melhorias após receber uma dose elevada de psilocibina. A paciente, que sofria há dez anos com a doença, evoluiu de hipofunção marcada para recuperação da continência e interação social.
O relatório, publicado em uma revista de neurociência, descreve que a paciente recebeu cinco gramas de cogumelos contendo psilocibina por via oral. Essa quantidade é superior a duas vezes a dose recreativa comum e muito acima do que é prescrito em contextos clínicos. Após a intervenção, a mulher demonstrou melhorias em mobilidade, responsividade emocional e capacidade de interação social.
Contudo, especialistas apontam a ausência de rigor científico no estudo. Um candidato a doutorado em neurociência comentou que o relato não constitui um ensaio clínico controlado, não possuía grupo controle e as observações dependeram majoritariamente de relatos de cuidadores e familiares.
Marcos Lago, neurocientista da Universidade de São Paulo, afirmou que os ganhos observados foram transitórios. Ele declarou que o artigo não afirma a reversão da doença, mas sugere que o caso levanta uma hipótese investigável sobre a modulação temporária de funções em pacientes com comprometimento neurodegenerativo.

