A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou carta aberta nesta sexta-feira (19) exigindo que o governo rejeite a pressão da BYD por mais benefícios fiscais. A montadora chinesa tenta reativar cotas de importação de veículos elétricos livres de impostos, que expiraram em janeiro, e adiar a alíquota de 35% prevista para julho.
A entidade defende a manutenção integral do cronograma tarifário estabelecido, sem postergações, e a não renovação das cotas de importação com alíquota zero. Segundo a Anfavea, ceder à pressão de uma única fabricante compromete a confiança de quem investiu no setor com base nas regras prévias.
O modelo de negócio da BYD, que importa veículos praticamente prontos, é visto pela indústria nacional como predatório. A Anfavea aponta que a massificação da fabricação com kits importados pode gerar perda potencial de R$ 96,8 bilhões em vendas para autopeças e eliminar cerca de 250 mil empregos na cadeia produtiva.
Em contraste, a Anfavea destaca que fabricantes associadas anunciaram mais de R$ 140 bilhões em investimentos no Brasil até 2033, sem solicitar mudanças nas regras. Outras montadoras, como Stellantis, Renault e GM, avançam em projetos de fabricação local, sem pressionar por isenções.

