A escassez de componentes tecnológicos e o avanço da inteligência artificial devem manter os preços dos smartphones elevados nos próximos anos, impactando até modelos premium. Segundo Álvaro Luiz Massad Martins, diretor executivo da IT by Insight e professor da FGV, a alta demanda corporativa desequilibrou o fornecimento global de chips.
Martins explicou que fabricantes de chips priorizaram componentes de maior margem, como os usados em servidores de grandes empresas de tecnologia. Essa escolha resultou em escassez de chips de memória destinados a celulares. Apesar do aumento dos custos de produção, o especialista avalia que as grandes marcas globais não devem sofrer perda significativa de consumidores.
Ele comentou que a Apple pode manter sua competitividade, pois o consumidor já está acostumado a pagar valores mais altos, e os preços dos concorrentes também subiram. O que pode ocorrer é um aumento no tempo de substituição dos aparelhos. A indústria busca alternativas disruptivas para mudar a dinâmica do mercado de hardware.
O especialista apontou um movimento relevante de computação de borda e inteligência artificial, que permite maior processamento dentro dos próprios dispositivos. Essa tendência representa uma ruptura com o cenário atual. Martins concluiu que essa inteligência mais poderosa nos equipamentos tende a evoluir para dispositivos vestíveis, como óculos ou anéis.

