A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) manifestou preocupação com a decisão do Ministério da Justiça e Segurança Pública de solicitar o retorno de delegados cedidos a órgãos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A medida, que visa reforçar o combate ao crime organizado, é vista pela ADPF como um impacto negativo em instituições que utilizam esses profissionais em funções estratégicas.
Os ofícios de solicitação de devolução foram assinados pelo secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges. Segundo ele, cerca de 100 pedidos foram enviados a mais de 50 órgãos das esferas federal, estadual e municipal, como parte de um processo iniciado no fim de abril para reforçar atividades finalísticas.
A ADPF defende que os delegados cedidos são selecionados por sua qualificação técnica e experiência, desempenhando atividades essenciais para o fortalecimento de políticas públicas. A entidade argumenta que o principal desafio da Polícia Federal reside em questões estruturais, como a evasão de profissionais. Nos últimos três anos, 104 novos delegados ingressaram na corporação, mas 50 deixaram a carreira.
A associação também apontou redução no interesse por concursos da Polícia Federal, com a queda de 321 mil inscritos em 2021 para 218 mil em 2025. A ADPF defende que o fortalecimento da corporação deve focar na valorização da carreira e na retenção de talentos, e não na restrição da atuação dos delegados em outros órgãos da administração pública.

