Os juros reais, ou seja, o ganho acima da inflação, atingiram o maior patamar desde a crise financeira global de 2008. O movimento foi influenciado por decisões de política monetária e eventos geopolíticos. O aumento das taxas fez com que o valor de títulos já posicionados recuasse no mercado.
A semana de negociações foi marcada por volatilidade. Inicialmente, o IPCA de maio veio acima do esperado, mas taxas do Tesouro IPCA+ caíram após um acordo entre Estados Unidos e Irã, que derrubou o petróleo. Segundo Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, o dado de inflação não assustou o mercado, pois estava concentrado em itens de choque de oferta.
A quarta-feira trouxe duas decisões importantes. O Federal Reserve manteve as taxas de juros americanas, mas elevou projeções de inflação, o que gerou reação imediata nos ativos brasileiros. Posteriormente, o Copom cortou a Selic para 14,25% ao ano, decisão unânime, mas o comunicado foi lido como confuso por Luciano Sobral, economista-chefe da Neo Investimentos.
O conjunto de fatores levou à suspensão das negociações no dia seguinte. Na reabertura, o IPCA+ 2032 atingiu o pico da semana em 8,51% ao ano, encerrando em 8,47%, o maior fechamento desde 2008. Esse patamar sinaliza que o mercado cobra um prêmio alto pelo risco de emprestar ao governo.
Gestoras de ativos apontam para inconsistências fiscais. Bernardo Feijó, COO da Kapitalo, afirmou que as taxas refletem o descompasso entre política fiscal e monetária. Já a Vista Capital declarou que os juros reais cairão, seja por ajuste fiscal ortodoxo ou por dominância fiscal.

