Cidadãos russos utilizam redes privadas virtuais (VPN) e múltiplos dispositivos para driblar o controle estatal de aplicativos como WhatsApp e Telegram. A repressão digital, intensificada pelo Kremlin, afeta serviços bancários e de transporte, forçando os usuários a adotarem métodos cada vez mais complexos para manter a conectividade.
O monitoramento estatal na Rússia cresceu significativamente neste ano, levando os cidadãos a buscar soluções técnicas para contornar restrições a plataformas estrangeiras. Um exemplo é o uso de VPNs para acessar o WhatsApp, que está bloqueado no país. Em contraste, para acessar sites de transporte, os usuários precisam desativar a VPN, pois a Ferrovia Russa impede o acesso de quem oculta a localização.
A frustração com as limitações digitais, somada ao aumento de preços e ao desgaste da guerra, contribuiu para a queda na popularidade do presidente. Autoridades incentivam o uso de alternativas estatais em uma campanha por “soberania digital”. Contudo, usuários demonstram cautela, pois o aplicativo estatal MAX pode ser usado para rastreamento, segundo críticos.
O uso de VPNs cresceu exponencialmente; em março, houve 9,2 milhões de downloads dos cinco serviços mais populares na loja Google Play, um aumento de 14 vezes em relação ao ano anterior. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, defende o controle da internet como necessário em um confronto com o Ocidente. Apesar disso, o governo instruiu o presidente a agir com mais cautela, evitando focar apenas em proibições.

