O presidente brasileiro fez uma oferta para ajudar a negociar um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, durante um encontro com o presidente ucraniano na França. A proposta, feita às margens da cúpula do G7, é vista por analistas como uma quebra de paradigma na diplomacia brasileira.
A analista de Internacional Fernanda Magnotta avaliou que a iniciativa marca uma mudança no cenário internacional. Ela observou que, após tentativas anteriores, o Brasil volta à tona como uma alternativa viável de mediação. Segundo informações de Kiev, o presidente brasileiro sugeriu contato com membros do Conselho de Segurança da ONU e pediu que o presidente ucraniano contatasse Vladimir Putin.
Magnotta elencou o acesso político do Brasil como um elemento que credencia o país nesse papel. Ela explicou que o Brasil consegue dialogar com o Ocidente e o Oriente, o que é valorizado em um momento de fragmentação global. O país também pode auxiliar a relativizar a aproximação entre a China e a Rússia.
Apesar do potencial, a analista apontou desafios. Entre eles, a desconfiança da Ucrânia, que considerou o Brasil excessivamente compreensivo com a Rússia em fases anteriores do conflito. Além disso, o Brasil não possui instrumentos de pressão direta sobre Moscou, e o desfecho da guerra depende de decisões de Washington, Moscou e Pequim.

