Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) detalharam como o organismo se adapta a dietas ricas em proteínas e sem carboidratos. Os estudos, realizados com roedores, indicam que o fígado altera seu comando molecular para manter o fornecimento de energia, mesmo durante o jejum.
A adaptação metabólica foi investigada a partir de uma linha de pesquisa iniciada na década de 1970, que observou aves carnívoras mantendo glicose estável sem ingestão de carboidratos. A busca pela resposta levou ao estudo do fígado, órgão responsável pela gliconeogênese, processo de fabricação de glicose a partir de aminoácidos.
Em um experimento recente, camundongos foram alimentados com dieta de 86% de proteínas, 8% de gordura e zero carboidrato por 30 dias. Os testes moleculares revelaram uma mudança de estratégia: inicialmente regulada pelo glucagon, a produção de glicose passou a ser comandada pelo fator de transcrição FoxO1, após cerca de 15 dias, dependendo da queda de insulina.
Os achados indicam que o metabolismo é dinâmico. Além disso, a remoção das glândulas adrenais nos animais em dieta hiperproteica fez com que perdessem a capacidade de manter a glicemia durante o jejum, confirmando o papel dos glicocorticoides. Os pesquisadores alertam que os resultados não podem ser extrapolados diretamente para humanos.

