Um memorando de entendimento assinado entre os Estados Unidos e o Irã estabelece condições para o fim da guerra no Líbano, mas exige concessões americanas em troca da reabertura do Estreito de Ormuz. O acordo, firmado após os confrontos de 28 de fevereiro, implica a suspensão de bloqueios e a flexibilização de sanções contra o Irã.
O memorando de entendimento, ou MOU, aponta as consequências políticas e econômicas do ataque ocorrido em 28 de fevereiro. O regime iraniano, após a operação militar conjunta dos EUA e Israel, não foi destruído e saiu fortalecido. A estratégia de bloquear o Estreito de Ormuz, que afeta um quinto do fornecimento global de petróleo e gás, forçou os EUA a aceitar concessões que alarmaram críticos do Irã e do governo israelense.
O texto prevê o fim da guerra no Líbano, embora Israel declare que essa condição não pode ser atendida, pois mantém a necessidade de liberdade de ação na região. Em contrapartida à reabertura do estreito, os EUA concordarão em suspender o bloqueio aos portos iranianos, flexibilizar sanções para permitir bilhões em exportações de petróleo e iniciar o descongelamento de ativos financeiros do Irã.
A questão do propósito da guerra permanece em aberto. O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, comentou que o único resultado do cessar-fogo é a provável reabertura do Estreito de Ormuz, que já estava aberto antes do início dos combates. O acordo sinaliza a retomada das negociações nucleares, mas sob novas condições impostas pelo controle do ponto estratégico.

