Pesquisadores da FMRP-USP detalharam como o organismo se adapta a dietas ricas em proteínas e sem carboidratos, alterando o comando molecular do fígado para manter o fornecimento de energia. Os achados, baseados em experimentos com roedores, indicam uma reorganização metabólica que pode ocorrer em humanos.
O estudo, que desdobra investigações iniciadas na década de 1970, mostrou que, em dietas hiperproteicas, o fígado passa por uma mudança de estratégia para produzir glicose. Inicialmente, a produção era estimulada pelo glucagon, mas com o tempo, o órgão desenvolveu resistência a essa ativação hormonal.
A mudança ocorre por volta de 15 dias, quando o fator de transcrição FoxO1 assume o controle da gliconeogênese. Diferente do CREB, o FoxO1 depende da queda da insulina para atuar. Essa transição sugere que o sistema metabólico passa de uma resposta aguda para um controle crônico dos genes responsáveis pela produção de açúcar.
Em testes com camundongos, a dieta sem carboidratos manteve a glicemia estável durante o jejum, enquanto animais com dieta balanceada apresentaram queda de cerca de 40%. Além disso, a remoção das glândulas adrenais nos animais em dieta hiperproteica eliminou a capacidade de manter a glicemia, confirmando o papel dos glicocorticóides no processo.
Os pesquisadores alertam que os resultados não podem ser extrapolados diretamente para humanos, pois não há estudos com dietas totalmente isentas de carboidratos em pessoas. Contudo, o avanço permite entender a regulação molecular da gliconeogênese, processo ligado a doenças como o diabetes tipo 2.

