Um novo estudo publicado na revista Frontiers in Psychology indica que adolescentes que percebem seus responsáveis frequentemente distraídos por dispositivos digitais apresentam maior probabilidade de relatar estilos de apego inseguro. A pesquisa, realizada com 600 jovens nos Estados Unidos, foca na percepção de interferência tecnológica nos laços familiares.
A investigação analisou o vínculo emocional entre jovens e seus cuidadores, definindo apego como a segurança na relação com pessoas importantes. Os pesquisadores observaram que a interferência de dispositivos digitais por parte dos responsáveis estava associada a padrões de apego inseguro, incluindo maior ansiedade e tendência ao distanciamento emocional. Essa associação foi vista independentemente da figura materna ou paterna, e em diversas faixas etárias e etnias.
A especialista Dra. Leana Wen explicou que o estudo não mediu o tempo de tela de forma objetiva, mas sim a percepção subjetiva do adolescente de se sentir ignorado. Ela esclareceu que a pesquisa encontrou uma associação, mas não estabeleceu causa e efeito, citando que outros fatores, como estresse parental, podem influenciar os resultados.
Para mitigar os impactos, a especialista sugeriu estratégias práticas para as famílias. Entre elas, está o estabelecimento de horários e espaços livres de dispositivos durante refeições e atividades conjuntas. Além disso, Dra. Wen aconselhou os pais a modelarem o comportamento desejado, usando a tecnologia apenas quando necessário e dedicando atenção total aos filhos em momentos de conexão.

