A construção de data centers de inteligência artificial no espaço ganha viabilidade com o capital levantado pelo IPO da SpaceX, que arrecadou US$ 85,7 bilhões. Empresas como SpaceX, Google e Blue Origin avançam em projetos orbitais, impulsionadas pela necessidade de capacidade computacional e pelas restrições terrestres.
A SpaceX utiliza sua infraestrutura, que inclui foguetes reutilizáveis Falcon, a xAI e a rede Starlink, como base para operações internas e serviços comerciais. Segundo um sócio da Bullpen Capital, os desafios técnicos estão sendo resolvidos, embora a equação econômica ainda apresente dificuldades no momento. A expectativa é que a queda nos custos de lançamento e o encarecimento da operação terrestre alterem esse cenário.
Em janeiro, a SpaceX protocolou pedido à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) para uma constelação de até um milhão de satélites, que serviria como base para um data center orbital de IA. Para sustentar essa escala, a SpaceX, Tesla e Intel firmaram parceria na Terafab, em Austin, Texas, com previsão de abertura em 2029 e custo estimado de até US$ 119 bilhões.
Outras empresas também disputam o setor. Jeff Bezos classificou a construção orbital como realista, enquanto a Blue Origin submeteu um plano para lançar 51,6 mil satélites de data center em órbita baixa da Terra. O Google, por sua vez, trabalha no projeto Suncatcher, com a SpaceX como possível parceira de lançamento. Um estudo da companhia projeta que o custo de lançamento pode cair para menos de US$ 200 por quilo até meados da próxima década.
Economistas apontam que o crescimento das restrições regulatórias e ambientais contra data centers na Terra reforça a tese espacial. Mais de 100 propostas de moratória tramitam nos Estados Unidos, e pesquisas indicam forte oposição pública à construção de tais instalações próximas às residências.

