O acordo provisório assinado entre Estados Unidos e Irã, somado ao cessar-fogo entre Israel e Hezbollah, gera expectativa de fim de hostilidades no Oriente Médio. Contudo, questões cruciais precisam ser resolvidas nos próximos 60 dias para consolidar um entendimento duradouro, aponta análise de especialista.
Um dos temas centrais do acordo é o acesso do Irã a um fundo de financiamento de US$ 300 bilhões, destinado à reconstrução econômica. Entretanto, o mecanismo enfrenta complicação, pois os Estados Unidos não aprovariam ajuda ao país, visto que o consideram um estado patrocinador do terrorismo, declarou o especialista.
A questão do urânio enriquecido é considerada a mais complexa. O acordo estabelece o compromisso iraniano de não desenvolver arma nuclear, mas não detalha os caminhos práticos. O transporte do material exige segurança, e o Irã já manifestou não desejar que o urânio saia do país. Por isso, a discussão foi adiada por 60 dias.
Outro ponto vago é o fim das sanções impostas ao Irã, pois não há linha do tempo definida para o alívio. A fiscalização é indispensável para a efetividade do acordo, e o papel da Agência Internacional de Energia Atômica seria fundamental. Contudo, o Irã demonstrou resistência a inspeções no passado, tornando este ponto delicado para as próximas rodadas de negociação.

