A edição de imagens deixou de ser restrita a profissionais com softwares complexos. Com a integração da inteligência artificial (IA) em smartphones, é possível corrigir imperfeições, remover objetos ou gerar cenários irreais com poucos toques, segundo o presidente da Global Tech, Dhiego Soares.
A principal mudança, explicou Soares, foi o fim da dependência de conhecimento técnico. Hoje, o usuário interage com a ferramenta tocando na área, circulando um objeto ou descrevendo o que deseja alterar, e a IA executa grande parte do trabalho. A eficácia dessas novas ferramentas reside na capacidade de leitura de contexto; a IA analisa sombras, reflexos e profundidade para reconstruir elementos, como céu ou calçada, quando um objeto é removido de uma paisagem.
Apesar da acessibilidade, o especialista adverte sobre o risco de resultados “plastificados”, causados por peles excessivamente lisas ou iluminação incoerente. Ele defende a moderação, afirmando que uma boa edição deve valorizar o registro, e não fazê-lo parecer falso. No campo criativo, a IA permite transformar fotos em ilustrações, mas Soares estabelece uma linha entre o uso artístico e o uso documental de fatos reais.
Outro ponto crítico é a segurança dos dados. O processamento de imagens na nuvem expõe informações sensíveis, como localização e rosto. Soares alertou que, no Brasil, dados biométricos são considerados sensíveis pela LGPD, recomendando que os usuários prefiram aplicações que processem imagens localmente no celular. Para uso casual, ele orienta a priorizar a praticidade, enquanto para trabalho profissional, o controle e a qualidade devem ser a prioridade.

