A reforma tributária pode elevar a carga sobre importações no Brasil a até 117% durante o período de transição, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Transporte Internacional Expresso de Cargas (Abraec). O setor de logística registra alerta sobre o risco de impacto no fluxo de encomendas internacionais e na malha de transporte doméstico.
A diretora executiva da Abraec, Lara Gurgel, afirmou que o debate sobre competitividade com o comércio local é legítimo. Contudo, ela explicou que as remessas expressas envolvem mais que itens de consumo, incluindo insumos e componentes essenciais para setores como o farmacêutico e o hospitalar.
Gurgel comentou que a redução no volume de encomendas pode interromper rotas, pois as empresas priorizarão fluxos mais rentáveis. Ela detalhou que o fluxo aéreo depende de alta ocupação nos dois sentidos para manter a viabilidade das rotas, conectando o comércio exterior à logística interna do país.
Atualmente, a tributação sobre esses envios já é elevada, podendo atingir 70% a 80%. Com a implementação do novo sistema, a carga total pode chegar a 117%, antes de uma possível redução gradual para cerca de 102% no futuro. O setor se prepara para as mudanças que introduzirão CBS e IBS a partir de janeiro.
A preocupação principal do setor não é apenas a queda no volume de encomendas, mas também o impacto sobre os investimentos planejados em infraestrutura logística nacional, em um momento de reorganização do sistema tributário brasileiro.

